Vou encerrar a série de posts “Arte :: a poética da linha e da agulha” com chave de ouro: Edith Derdyk. Falar sobre essa grande artista é falar além de linhas e costura mas mais precisamente sobre desenho.

Formada em Artes Plásticas pela FAAP, Edith desenvolve uma reflexão e prática artísticas no território do desenho. O traço é a ossatura para tramar os feixes de músculos do conceito. Sua poética se apóia no grafismo planar e nas volumetrias virtuais determinadas pela migração da linha no espaço. Visto em retrospecto o trabalho, desde sempre desenho, chama a atenção pela consciência da linha.

Assim, a fragilidade aparente da linha destaca-se do plano para, multiplicada em vetores de força, puxar e erguer no ar pesadas e espessas pranchas brancas, de madeira. As pranchas sob tensão instável podem ser entendidas como metáforas do papel de onde a linha migrou. Nesse processo, ela deixou para trás a maleabilidade sinuosa do lápis para ser tensionada com força no fio negro que também parece saído, ainda úmido de tinta, dos sulcos riscados com precisão na chapa de cobre da gravura em metal.

Leonardo da Vinci observou que “o ar está repleto de infinitas linhas retas e radiosas, entrecruzadas e tecidas sem que uma nunca se sirva do percurso de uma outra”. Estas linhas, ainda conforme o gênio renascentista, “representam para cada objeto a verdadeira forma de sua razão”. Roberto Casati, por sua vez, retoma esse conceito quando escreve: “Se os raios solares fossem visíveis como filamentos incandescentes – o que é fisicamente impossível porque eles teriam de emitir raios de luz! – veríamos o céu noturno todo entretecido por eles”. A percepção de mundo de Edith Derdyk partilha desses mesmos pressupostos gráficos, expressos com nitidez em suas obras.

Já o crítico Luiz Vieira, compara Edith a uma aranha que puxa o fio para tecer sua teia, a fim de de reter o visível e também para projetá-lo. Lembrando a raiz etimológica do vocábulo em inglês “to draw”, que melhor evidencia o fato de que “desenhar” também significa “arrastar”, ou “puxar” para a superfície do papel um e outro aspecto do visível. Desenhar, na feliz definição do artista Luiz Paulo Baravelli, ele mesmo um exímio desenhista, seria, em oposição à pintura, “olhar de perto”. Nessa linha precisa de compreensão do que seja desenho, desenhar equivale a auscultar um determinado fragmento do visível e, nos casos mais extremados, abstraí-lo até seus aspectos mais essenciais, até o ponto estrito mediante o qual pode-se evocar o fragmento em toda sua inteireza. Desse modo desenhar é também, conforme já se indicou, exercício que parte do presente mas que também confina com o passado, com a memória, com o resíduo, com aquilo que se deposita e sobra por decantação da visita continuada que o olhar faz ao mundo.

referências: daqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui

Postado em costura, desenho às abril 4th, 2012. Por Thais

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O blog Pathati fez dois anos e o tempo voou!

A vida anda muito corrida, o tempo anda muito curto ou não estamos sabendo administrar nossas prioridades, nossas relações pessoais e vida profissional? A tecnologia nos faz ganhar tempo, mas quanto mais o temos, mais insaciáveis estamos.

Bom, mas só para não dizer que deixamos a data passar em branco, encontrei nos meus arquivos uma foto de um cupcake!

Postado em comidinhas às abril 4th, 2012. Por Thais

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Hoje em dia, fazer parte de uma rede social virou um item essencial – quase uma obrigação: se você não está em alguma é um “ser estranho” ou “alguém que não está antenado com o mundo”. Para algumas pessoas, estar “antenado” é  tão comum quanto escovar os dentes ou trabalhar: faz parte do seu dia a dia.

Ao passo que mais e mais pessoas integram-se à elas, tantas outras estão “saturadas”. Uma relação de amor/ódio, tal qual praticamente “matou” o Orkut: é uma tendência que possivelmente ocorrerá com o Facebook ao longo do tempo. Será?

É evidente que as pessoas estão cansadas e esgotadas com o bombardeio de informações, “memes’, correntes e a “invasão de privacidade” que ocorrem principalmente em redes que visam integrar todo tipo de usuário.

Algumas têm propostas de segmentar seu público, tais como o Linkedin (destinada para uso trabalhista), Pinterest (reúne usuários por assunto, predominantemente crafters, decoradores, fashionistas) ou Foursquare (sistema de geolocalização de usuários).

Seguindo por essa linha, mas sem perder as características das grandes redes integradoras, encontra-se o Path.

Experimentei o Path há 2 meses e vou enumerar o que considero como “vantagens”:

- rede no estilo “closed” – adiciona apenas 150 amigos (segundo o antropólogo Robin Dunbar, é considerado o número máximo de relações ditas “confiáveis” que uma pessoa pode ter)
- compartilhamento de informações a quem realmente interessa
- não há publicidade: os criadores do Path garantem que não irão vender espaços publicitários no site.
- acesso apenas pelo celular através do iOS (Apple) ou Android, mas permite publicações no Facebook, Twitter e outras redes sociais.

A conclusão que cheguei é que é muito cedo para comparações: gosto do aplicativo, porém apenas 5 amigos para dizer que os amo.

Postado em tecnologia às março 11th, 2012. Por Nanah Kamaki

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Uma produção que utilizasse materiais de má qualidade ou qualidade inferior, o kitsch ou simplesmente uma obra que tivesse ampla aceitação e caísse no gosto popular era considerada uma arte menor, incluindo as artes decorativas ou aplicadas, designação que desapareceu na cena da arte contemporânea atual. Grandes artistas como Beatriz Milhazes e Joana Vasconcelos trouxeram o léxico do ornamento para as mais relevantes instituições de arte e galerias do mundo.

Mais do que uma tendência, esse retorno ao ornamento é marca de uma época que busca integrar valores básicos, como apreço a modos de vida simples e mais integrados com a natureza, a um refinado senso estético e valorização da boa produção intelectual. Há algo de muito inclusivo no ornamento. Já foi dito que, por sua universalidade, ele é um Esperanto visual, algo que é compreendido por várias culturas (e por várias épocas).

Quatro artistas demonstram como a arte atual está interessada na retomada das referências populares ornamentais. São elas:

Silvana Mello

Gaúcha residente em São Paulo, seus trabalhos em suportes como azulejo, tela, bordado e vídeo-animação refletem suas histórias pessoais e a trajetória conturbada de sua vida. Silvana trabalhou como vendedora de loja, assistente e depois tatuadora, ilustradora para revistas e ajudante na equipe de estilo da Cavalera. A bagagem artística veio da vida, retratando em seus traços e desenhos suas emoções. O conhecimento provém unicamente da experiência, da captação do mundo externo e interno pelo sentidos. Sobre seus bordados, conta: “É a coisa mais sem técnica. Não sei bordar. Desenho e vou preenchendo com linha de costura ou de bordado”, revela, mostrando que sua arte é experimental na execução. Pra Silvana, isso é vestígio de quando era punk e fazia suas próprias roupas – “rasgava aqui, botava fogo ali” – e tinha que fazer isso com total separação de teoria e prática.

Em seus trabalhos é possível observar uma espontaneidade natural, em que a produção (in)consciente das obras é voltada para a concretização de um ideal de beleza e harmonia: há ainda uma certa agressividade embutida em cada ponto e nó que ela dá nas telas, que aparece em figuras (quase sempre carregadas da estética dos anúncios da década de 50) ou frases. Em suas criações, consulta suas memórias e sentimentos, reunindo experiências boas e ruins e as expressa por meio da imagem de mulheres fortes, que cuidam de seus filhos e famílias; em busca da sua felicidade e bem-estar. Ela não se poupa de buscar referências em revistas, fotografias, familiares, amigos e bancos de imagens. Embora não intencionalmente, as obras tem grande repercussão no universo feminino, justamente por conta dessa pesquisa.

Em seus bordados, utiliza um grande bastidor com algodão bem grosso esticado, que recebe um esboço do desenho preenchido a linha, patchwork, botões antigos, flâmulas vintage e itens que a artista encontrou em uma lata de costura de sua mãe.

Carolina Ponte

Nascida em Salvador, Carolina reside atualmente em Petropolis, RJ. Seus desenhos e esculturas moles oferecem um tempo que estava quase perdido: a duração que se vivencia na atividade de fazer crochê. Para nós que vivemos no tempo das mensagens instantâneas em banda larga, é um alívio lembrar que o tempo pode assumir outras formas, menos ariscas, menos pontiagudas, e passar devagar, construindo nós intricados com linhas coloridas. As esculturas nascem dos nós das agulhas de crochê, misturando formas planas a tubos tridimensionais coloridos que pendem do teto. Os desenhos exibem figuras concêntricas (o crochê é muito afeito a círculos) feitas de minúsculas unidades, como os pontos que se desprendem da agulha. Quando são coloridos, esses desenhos começam como manchas de tinta acrílica sobre papel. A esse fundo informe, Carolina Ponte sobrepõe linhas feitas com caneta preta, que vão desenhando as correntinhas, os pontos cruzados, o zig-zag, criando uma teia ornada com vários padrões.

Essa escultora tecelã cria um universo muito particular, utilizando o crochê como uma forma de desenhar com mais fluidez. Ela aprendeu a fazer crochê porque queria roupas novas para suas bonecas.

Veja o catalogo da exposição individual de Carolina Ponte na Galeria Zipper aqui.

Adrianna Eu

Nascida no Rio de Janeiro, cidade onde reside e trabalha, Adrianna se difere das artistas aqui listadas por não bordar, tecer, ou emendar um tecido no outro, mas ao utilizar a linha e o fazer supostamente feminino para estabelecer um processo de construção do próprio corpo e das relações de afeto. São proposições que procuram materializar o desejo, colocando em evidência a ambiguidade existente em tal processo através dos contrastes entre materiais e objetos, delicadeza e brutalidade, ternura e erotismo, toque e olhar.

Sua carreira foi marcada pelos encontros na casa da escultura Louise Bourgeois em NY, resultando numa série de pesquisas e trabalhos germinados naquele momento.

Ana Linnemann

Ana Linnemann é formada em Design pela PUC-RJ e recebeu o mestrado em Escultura pelo Pratt Institute, em NovaYork,onde residiu até 2006.

Na série Pedras bordadas [XS] a artista apresenta dez exemplares feitos de fatias de pedra sabão – refugo das grandes pedreiras de Minas Gerais – que, furadas, tornam-se entretelas para bordados de flores em ponto de cruz, com linha de seda e algodão coloridos. Os desenhos foram tirados de manuais do gênero. Neste conjunto, o foco não é mais a invisibilidade, mas o cruzamento de materiais de espécies opostas, pedra e seda.

“O meu trabalho acontece em uma espécie de temperatura de fusão, onde significados se comportam como em estado líquido, amálgamas em constante transformação. A idéia é sempre ajustar, em um único objeto, elementos de diferentes áreas de nossa existência e lidar com os problemas de identidade que surgem desta interação. E, afastando o espectador do conforto do hábito, provocar um estranhamento às atividades e objetos do cotidiano.

Pelos últimos anos, eu tenho costurado pedras, servido de alfaiate para espaços sem corpo, colocado zíper em folhas secas. Também motorizei cordões de pérolas para que funcionassem como uma orquestra.

Esse processo exige precisão. Cada peça deve consolidar aspectos de áreas desconexas de nossa experiéncia, mantendo-se, no entanto, completamente natural, como se suas novas e improváveis identidades sempre tivessem sido uma possibilidade oculta. Ao deslocarmos elementos de um campo para outro, a intenção seria sugerir uma cadeia de aberta de significados que se reagrupam como pérolas de um colar quebrado, um após o outro mas não necessariamente na mesma ordem.”

Postado em arte, bordado, costura, crochet, escultura, inspiração às setembro 2nd, 2011. Por Thais

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Toddy Selby já trabalhou como guia turístico, pesquisador, cartógrafo e muitas outras profissões não exatamente relacionadas entre si. Hoje é fotógrafo e ilustrador.

Em 2008 começou a fotografar casas de amigos e publicou numa sessão em seu site. Ficou surpreso com os pedidos e as visitas diárias de pessoas do mundo todo que estavam curiosas pelo seu olhar criativo em retratar os espaços.

Seu olhar apresenta intimidade com o morador e nos remete a uma visita a alguém que já conhecemos e que não tem cerimônias em nos abrir a casa.

Em poucos meses o site se tornou bem popular e ele começou a virar uma referência no assunto e a ser convidado a trabalhar com empresas como Nike, Colett, Habitat, New York Times e Vogue Paris.

Visitando seu site The Selby in your place, podemos ver que o olhar irreverente, realista e descontraído, difere da grande maioria de blogs e revistas de decoração aos montes por aí. Ele retrata a realidade de pessoas que vemos ser reais. Gente como a gente, que construiu o seu espaço de vida e/ou trabalho de acordo com a sua personalidade.


No final de cada sessão de fotos há uma mini entrevista toda feita a mão, que dá um toque bem pessoal em cada post.
Os espaços clicados são de editores, fotógrafos, artistas, chefes de cozinha, modelos, estilistas e muita gente interessante. Podemos ver guarda-roupas zoneados, louça suja, baguncinhas e todos os elementos de uma casa que realmente é usada e com vida.

Toddy estará no Brasil mês que vem. A revista Casa e Jardim promove pela terceira vez o Seminário A Felididade Mora Aqui, onde aborda assuntos relacionados a decoração e o morar bem. O tema desta edição é Casa com Alma e será transmitido ao vivo pelo site no dia 16 de setembro. Imperdível para quem curte.

Postado em decoração às agosto 23rd, 2011. Por Patricia

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As chamadas ‘mídias sociais’ (ou redes sociais) invadiram de vez a rotina de muitos brasileiros. Os mais aficcionados (como eu), costumam acessar os sites de relacionamento várias vezes ao dia. É quase trágico quando a rede não funciona, e logo pensamos: “não consigo imaginar minha vida sem isso”!

Certo dia, li numa pesquisa que comparava o tempo de navegação em meados dos anos 90 e atualmente. De fato, nos saudosos anos 90, as pessoas navegavam na internet: acessavam sites, portais de notícias, chats online, etc. Hoje, elas navegam pelo Facebook, Orkut, Flickr, Twitter, etc. Ou seja, gastam-se mais tempo em redes sociais do que com a internet em si.

Particularmente, gosto bastante do Facebook, que se tornou o ‘king of the world’ das mídias sociais. Tem gente que reclama bastante do ‘excesso’ de sociabilidade, mas se você está em um lugar onde o objetivo é socializar-se, sinto dizer que têm 2 escolhas: aguente firme ou antisocialize-se.

Mas, ainda há uma solução para os que estão cansados de tanta ‘curtição’: uma nova mídia social (ok, você não esperava por essa, mas o ser humano é um animal racional e que só sobreviveu até os dias de hoje por conta da sociabilidade).

Calma, veja bem: o nome até assusta um pouco (sim, eu também pensei em algo pernicioso), mas é uma novidade aqui no Brasil.

Se trata de uma rede onde você marca os assuntos de seu interesse através de fotos. O nome vem de “Pin” (marcar) e “Interest” (interessante) = Pinterest. Quem já utilizou o Stumble ou Delicious vai perceber que o mecanismo é bem parecido.

A instalação do aplicativo é simples e é preciso apenas um email válido para o cadastro. Ele funciona assim: suponhamos que você está navegando (pela internet) e um site ou imagem te interessou muito. Vai lá na sua Bookmark Toolbar (devidamente instalado) e clica no botão “Pin It”. Automaticamente estará no seu mural, creditado e o melhor, sendo compartilhado para os “pinteresters”. Toda vez que alguém dá um “Repin”, já estará no mural desta e assim vai. Afinal, compartilhar é algo que uma mídia social deve fazer, não é mesmo?

Você pode acessar através da fanpage no Facebook e acionar o aplicativo ou baixá-lo para iPhone ou iPad.

Espero que gostem, pois amei (aguardo felizes comentários, ta?).

Fiz o login e tão logo quis adicionar amigos para a minha nova rede. Olha só quem eu achei:

Postado em tecnologia às agosto 8th, 2011. Por Nanah Kamaki

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Acabou de acontecer no Sesc Pinheiros o Projeto Dança em Foco, um festival internacional de vídeo e dança onde cada uma dessas artes se expande sobre a outra, produzindo novas poéticas. Para além das fronteiras definidas, o projeto mostra as proposições transmidiáticas, lugares de intervenção, descoberta e experimentação de como dança e video se hibridizam.

Encontrei na net algums dos videos que mais gostei:

THE RAT from La Gaîté Lyrique on Vimeo.

Acabei de ler o livro ‘Degas Dança e Desenho’, de Paul Valery – Cosac&Naif edição esgotada – que demonstra que é de longa data a relação desenho e dança. No livro, o autor afirma como é ‘espantosa a inexatidão provavél da observação imediata, a falsificação que é obra de nossos olhos. Observar é, em grande parte, imaginar o que esperamos ver’. E Degas não se deixava iludir pela própria visão. Sabia a diferença entre ver uma coisa sem o lápis na mão e vê-la desenhando-a.

Degas é um dos raros pintores que deram ao solo a sua importância. Ponto de apoio para qualquer bailarina, é um dos fatores essenciais da visão das coisas. De sua natureza depende em grande parte a luz refletida. Para Degas, uma obra era o resultado de uma quantidade infinita de estudos e, depois, de uma série de operações.

Degas renovou a visão dos corpos e inúmeras poses com as quais os pintores jamais se haviam ocupado antes dele. Deixando de lado as mulheres languidamente recostadas, as deleitáveis Venus e Odaliscas, Degas trabalhou para reconstruir o animal feminino especializado, escravo da dança, e esses corpos mais ou menos deformados, em estados muito instáveis como amarrar uma sapatilha ou a pressão das mãos na barra de ferro das salas de dança.

Postado em arte, dança, videos às agosto 1st, 2011. Por Thais

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Outra exposição imperdível que está acontecendo em SP no Instituto Tomie Ohtake é a de Louise Bourgeois. Bastante conhecida pela sua escultura de aranha trancafiada numa sala do MAM-SP, nesta retrospectiva são apresentadas as influências da psicanálise e da autobiografia em toda a sua obra. Semelhanças com Leonilson, volta ao útero (ou o seu útero sendo arrancado), relação de poder sobre o marido e o homem, a mulher-esposa-artista… são muitos os sentimentos que vem a tona quando se aprecia uma obra de Louise.

Louise Bourgeois começou a sua carreira tardiamente na década de 40 (ela tinha aproximadamente 35 anos de idade) e é uma dos artistas mais inovadoras e influentes do nosso tempo (ela mesma se referia “a mais velha dos jovens artistas”). Sua carreira se estende por surrealismo, expressionismo abstrato, arte feminista e instalação, mas seu trabalho sempre manteve-se distinto de qualquer estilo singular ou movimento. Ao longo dos anos, Bourgeois experimentou grande variedade de materiais (incluindo mármore, gesso, bronze, madeira e látex). No final de 1990, ela embarcou no que se tornaria um corpo extraordinário de obras esculturais e bidimensionais: o tecido.

Este capítulo ao final de sua vida e carreira é especialmente significativo porque leva Louise de volta a sua origem estética de trabalho com produtos têxteis. Quando tinha 12 anos, ela trabalhava ao lado de sua mãe nos negócios da família na restauração de tapeçarias medievais e renascentistas em Antony, França. Ela assumiu o papel de ‘dessinateur’: redesenhar as seções em falta da peça de tapeçaria antiga, que seria então novamente tecida.

Louise conscientemente escolheu para construir as figuras de tecido (incluindo restos de roupas, lençóis e toalhas que possuía), um material frágil não tipicamente usados ​​para a escultura, mas carregado de associações humanas, como o calor, intimidade e vulnerabilidade.

Imagens: daqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

Postado em arte, costura, escultura, inspiração às julho 20th, 2011. Por Thais

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Após visitar a exposição do Leonilson – Sob o Peso dos Meus Amores, no Itaú Cultural, resolvi escrever em paralelo sobre artistas que utilizam a linha e a agulha em seus trabalhos. E vou começar justamente pelo próprio Leonilson, cujo trabalho – cheio de referências auto-biográficas – é delicadamente bordado à mão, com elementos simbólicos, quase como um diário de seus dias.

Leonilson nasceu em Fortaleza, em 1957, e mudou-se para São Paulo ainda pequeno, demonstrando logo cedo o seu interesse pela arte. Passa pela escola Panamericana de Arte e depois entra no curso de Artes Plásticas da Fundação Armando Álvares Penteado, saindo sem terminá-lo para se tornar um dos grandes expoentes da arte brasileira contemporânea. Na década de 80, faz parte da geração de artistas que revolucionaram o meio artístico brasileiro com a retomada do “prazer” da pintura e participa da Bienal de São Paulo de 1985. Mas é nos primeiros anos da década de 90, que o artista vai se firmar como um de nossos destaques no panorama cultural brasileiro com uma obra contundente, expressando como nem um outro, os dramas e as angústias do homem contemporâneo.

O artista faleceu jovem em São Paulo, em 1993, deixando uma obra autêntica que buscou incansavelmente a intensidade poética individual. Na Bienal de São Paulo de 1998, foi homenageado com uma sala especial. A imagem de uma escultura foi o motivo do emblema do evento e o detalhe de um desenho a imagem do cartaz.

Leonilson constrói um percurso existencial marcado por referências pessoais, ao elaborar um verdadeiro arquivo de vida utilizando sua obra como suporte, além de outros mecanismos que também catalogaram o seu cotidiano como: agendas, diários, cadernos, fitas gravadas, capturando o espectador e tornando-o cúmplice de suas questões. Essa dinâmica sedutora entre artista e espectador tem uma aliada forte, a utilização da palavra na construção estética da obra. Palavras de toda ordem: gírias, expressões, números, padrões de estampas, clichês figurativos. Foi, por certo, devido aos efeitos inusitados das próprias associações e justaposições desses materiais sobre a superfície das lonas ou das folhas de papel que os trabalhos do artista adquiriram, naquela época, um apelo fortemente expressivo. Eram trabalhos que não apenas evidenciavam, mas também elogiavam a falta de precisão e a precariedade dos meios artesanais com que o artista transpunha esses materiais para suas obras.

Tal desvelo da mão, embora conferisse a tudo certa “unidade”, não apagava – e decerto nem sequer pretendia fazê-lo – as profundas descontinuidades (de ordem, de origem, de aspecto) entre esses elementos heterogêneos que Leonilson associava, aglomerava, justapunha para compor seus trabalhos. Ao contrário, o interesse dessas obras – pinturas, desenhos, gravuras – residia no fato de que revelavam uma fratura interna, todo o empenho manual do artista sendo dirigido à reprodução dos signos e elementos que colhia já prontos, já cristalizados, enfim, no universo cultural das grandes cidades.

Dos trabalhos de Leonilson emerge uma poética da escassez: da economia não só de materiais, mas também de gestos e procedimentos. Talvez a escassez se tenha manifestado primeiramente nas questões de escala: de fato, transformava-se o modo como o artista passava a demarcar as suas superfícies, o modo como estabelecia um contraponto entre o papel, explorarando cada vez mais o vazio das superfícies das lonas e dos espaços em branco das folhas de papel, e a diminuta imagem de seus desenhos. Essas questões se evidenciam também na relação entre a lona toscamente recoberta de tinta e a figuração de suas pinturas e culminam, poucos anos depois, nos bordados do artista, nos quais pequenas imagens, palavras e signos gráficos habitarão os cantos de grandes pedaços de feltro, voile e outros tecidos.

Referências: daqui , aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui

Postado em arte, bordado às julho 4th, 2011. Por Thais

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Como fazemos para nos defender da nossa própria fragilidade perante os aspectos da vida?

Rita Pires from Cesar Nery on Vimeo.

Nesta série de mini-documentários, artistas selecionados apresentam seu trabalho enquanto refletem sobre o tema tristeza.

Este material faz parte do projeto Thomás Tristonho. Um curta-metragem nacional que está em produção e que contará a história de Thomás, um garoto triste de 16 anos que acredita ter o poder de entristecer tudo o que toca.

Este é um assunto delicado, que poucos conversam ou assumem o seu momento de tristeza. É um momento muito particular, onde questões de conhecimento pessoal são altamente requisitadas.

Num dos depoimentos, a artista Rita Pires fala sabiamente: “tristeza é o caminho que há entre dois jardins”.
E fazendo a relação do seu trabalho de miniaturista com o tema, diz: “são as miniaturas da vida que fazem a diferença”.

Estas metáforas são bem sutis. São formas delicadas e positivas de se pensar na tristeza quando estamos passando por ela. Não podemos e não somos felizes o tempo todo, mas cada um descobre o seu ritmo a ser percorrido entre um jardim e outro. E quando estamos assim, percorrendo até o próximo jardim, são realmente pequenos gestos de gentileza e amor que nos motivam a chegar mais rápidos e inteiros ao nosso destino.

Este projeto é lindo, e vale a pena conferir o material sobre o filme e as pesquisas aqui e os outros depoimentos aqui.

Postado em dicas de filme, videos às junho 20th, 2011. Por Patricia

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Não se engane: Rivane Neuenschwander é brasileira, nascida em Belo Horizonte, MG. Seu sobrenome complicado vem de descendência dos suíços, misturada aos de portugueses e indígenas. Graduou-se em Desenho, em 1994, na Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais e foi artista residente no Royal College of Art, em Londres, de 1996 a 1998, onde obteve o título de mestre; e no Centro Iaspis, em Estocolmo, Suécia, em 1999.


Depois da chuva: Mapas sofrem a ação da chuva e são posteriormente redesenhados.

Em suas instalações, fotografias, objetos, colagens, vídeos e desenhos, Neuenschwander apresenta aos espectadores aquilo que os circunda, mas que passa quase sempre despercebido. A questão da linguagem é central em sua obra. A artista se utiliza de alfabetos, mapas, calendários e outros códigos de representação verbal e não-verbal. Freqüentemente outras pessoas são envolvidas no processo de elaboração da obra, o que torna ambígua a questão da assinatura/autoria. O próprio público pode ser responsável pela efetivação da obra, durante sua exposição. Segundo Rivane: “Tenho muito pouco de autoria mesmo, mas é porque já tem muita coisa no mundo, é só organizar.”

Sobre sua arte, afirma: “Gosto de observar o inobservável”. Assim, explica o fato de utilizar como matéria-prima materiais inusitados e “pobres”, tais como poeira, sal, pimenta, restos de tomate, bolhas de sabão, lesmas, besouros, formigas, a sujeira carregada por sapatos anônimos… em suas obras, tudo é aproveitável.

A obra intitulada “Eu desejo seu desejo” – apresentada pela primeira vez em 2003 na Galeria Fortes Villaça – milhares de fitas do Senhor do Bonfim são trocadas por desejos dos espectadores. As fitas trazem gravados 60 desejos e o visitante é convidado a levar para casa uma fita e deixar em seu lugar um papelzinho com um desejo confessado por escrito. O trabalho é generoso, se dissemina, sai da galeria e ganha o espaço íntimo da casa de cada um.

O cinema é uma grande fonte de inspiração da artista. No vídeo “O inquilino”, a câmera acompanha uma bolha de sabão flutuando por um apartamento. A fragilidade da bolha e a perseguição da câmera foram inspiradas no filme homônimo de Roman Polanski.

Na retrospectiva “A day like any another” apresentada no New Museum, NY, o projeto de Rivane é oposto ao que sugere o nome da mostra: fazer com que o dia passado no museu seja diferente de todos os outros dias comuns da vida, ainda que os objetos usados pela artista sejam rigorosamente tirados do cotidiano, meio ao acaso. “Um dia como outro qualquer” foi também o nome de uma instalação que ela exibiu em 2008 na Bienal de São Paulo, que tinha relógios modificados em dimensões variáveis. O dia medido por aqueles estranhos relógios definitivamente não era um dia como os demais. Assim é o projeto artístico de Rivane: a suspensão do que é comum, tornado extraordinário. Suas instalações são retiradas do inventário das coisas pequenas, um inventário esticado ao infinito, para incluir o acaso e a participação do público.

Essa interação pode chegar ao ponto do retrato falado. Numa das peças mais intrigantes da mostra, intitulada Primeiro Amor, Rivane convidou policiais especializados em fazer retratos falados que produziam desenhos de amores perdidos com base nas lembranças dos visitantes.

Speechless: “Zé Carioca No.4”: páginas de uma edição em português e histórica da revista em quadrinhos do Zé Carioca textos e personagens foram cobertos com tinta, restando apenas os balões de diálogos. Conseqüentemente sem o cunho político que elas continham. O Zé Carioca, ou Joe of Rio, como é conhecido nos EUA, foi um personagem criado no começo da década de 40 pelos estúdios Walt Disney em uma turnê pela América Latina que fazia parte dos esforços dos Estados Unidos para reunir países para apóia-lo durante a Segunda Guerra Mundial. O personagem, baseado no esteriótipo do carioca naquela época, é responsável de uma certa forma, até hoje pela imagem de malandro que o mundo tem do brasileiro.

As mil e uma noites possíveis: Colagens de rodelas minúsculas de papel em fundo preto. Cada constelação dessas, de pontos brancos sobre o preto, é uma “noite picotada” de uma edição do “Livro das Mil e Uma Noites”.

Para saber mais sobre o ponto de vista da artista, clique aqui para ler uma bela entrevista.

Referências e imagens: daqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

Postado em arte, videos às junho 15th, 2011. Por Thais

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Oi, gente!

Primeiramente, quero dizer que estou superfeliz com o convite da Thaís e da PaTo para participar como colaboradora do blog (valeu, meninas!).

Well, fui indicada para falar sobre novidades, embora tenha contestado que prefiro falar sobre nerdices.

Yes, nerdices, babies! Afinal, o mundo é pop… e nerd!

Venho apresentar-lhes o GetGlue, que é um aplicativo semelhante ao conhecido Foursquare, só que diferente: reúne pessoas que curtem história em quadrinhos, filmes, video-games, música, livros, esportes, etc.

Nele, você dá os seus “check-ins” enquanto assiste um filme, seriado ou show, lendo um livro ou ouvindo música; você também pode fazer enquanto pensa em algum determinado assunto, por exemplo, “fazer um bolo” ou “tomar cerveja com os amigos”. Como se trata de uma rede social, automaticamente seus amigos ficam sabendo pois pode ser compartilhado para Facebook, Twitter ou Foursquare.

Mas acho que o grande lance fica por conta dos “stickers”. Um conjunto de ‘check-ins’ ou ações promocionais garante que você consiga esses adesivos “virtualmente”, mas ao acumular 20 stickers, pode solicitar o envio “real” pelo correio – o GetGlue envia p/ o mundo todo!!

Esse widget é gratuito e pode ser baixado pelo iTunes.

Baixei esse aplicativo essa semana e to curtindo muito (já ganhei 4 stickes!) ^.^

Postado em tecnologia às junho 9th, 2011. Por Nanah Kamaki

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Uma performance muito bonita me chamou a atenção na 29ª Bienal de SP: Divisor, de Lygia Pape, é um pano de 30×30 metros com perfurações, em que uma multidão de pessoas aparece com as cabeças emergindo e o corpo coberto, e foi apresentada a primeira vez em 1969 numa favela do Rio de Janeiro.

“Não sei me relacionar sem ter paixão. Adoro gente. Não consigo entender as pessoas que vivem sem gostar das outras”, disse, em entrevista ao jornal “O Globo”.

A paixão por gente foi o trampolim para a revolução que a artista ajudou a gerar nos anos 60, transformando o espectador de agente passivo a uma espécie de co-autor das obras de arte. Trabalhos como “Roda dos prazeres” e “Ovo”, ambos de 1968, passaram a só fazer sentido depois que o público os experimentava. Com isso, Lygia e contemporâneos como Hélio Oiticica e Lygia Clark abriram mão do status de gênios pregado aos artistas para se submeter a uma relação de troca.


À esquerda – Roda dos Prazeres – à direita – O ovo.

Além desse lindo trabalho, todos nós conhecemos Lygia Pape mas talvez nunca associamos sua obra ao nome. As célebres embalagens criadas por Lygia Pape para a Piraquê são bem expostas num criativo suporte que ressalta seu caráter serial.

Lygia possui uma trajetória artística que se inicia com o abstracionismo geométrico.

Artista com múltiplas incursões experimentais, sua prática inclui gravuras, livros-poema, objetos, ações, esculturas, instalações, além de trabalhar com cinema, fazendo cartazes, roteiro, montagem e direção, além de ampla produção de cinema autoral, trabalhando com equipamentos de 35mm , 16mm e super 8. No Cinema Novo, Lygia é letrista dos filmes Deus e o Diabo na Terra do Sol, Mandacaru Vermelho e Vidas Secas.

Nas esculturas, produziu “Os Amazoninos”, peças de ferro trabalhadas como se fossem grandes origamis, na tentativa de dar ao ferro a leveza do papel. “São e serão sempre uma alusão à Amazônia e à linha de urucum pintada na parede… como uma linha da vida. A Amazônia é incrivelmente bela… E forte. O vermelho é uma cor de que gosto muito, está sempre presente em mim”.

Em 1959, publicou com Hélio Oiticica, Lygia Clark e Franz Weissmann o Manifesto Neoconcreto, rompendo com o concretismo e iniciando neoconcretismo no Brasil. Com a morte de Hélio Oiticica, trabalhou na organização e divulgação da obra do amigo durante quase 10 anos.

Lygia faleceu em 3 de Maio de 2004 no Rio de Janeiro com 77 anos. Deixou instruções precisas sobre os procedimentos em após sua morte, e 2004. A pedido dela, houve uma missa cantada no Mosteiro de São Bento, no Rio de Janeiro, durante a Missa de 7° Dia. Mas proibiu que se realizasse o velório: “Ela não queria virar uma instalação, por isso não queria velório. Para ela tudo isso era um saco. Pode escrever”, disse uma das filhas de Lygia, Paula Pape, com quem ela morava.

As obras de Lygia são impressionantes pela sua capacidade de reprodução para as variadas gerações. Mais de 30 anos depois, a “Ttéia” – que esteve em cartaz no Paço Imperial em 2002 – e a “New house” – instalação montada no Museu do Açude – continuam se abrindo, generosamente, para a participação dos visitantes.


Ttéia

Imagens e Referências: daqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, e aqui.

Postado em arte, design, inspiração às junho 8th, 2011. Por Thais

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N.E.E.T é uma revista online inglesa que eu sempre dou uma espiadinha. Gosto quando uma publicação mistura assuntos como arte, decoração, moda, culinária, crafts e etc, etc, etc.

Na edição de junho, achei bacana este tutorial feito com sacolinha plástica.

O tutorial completo está na revista online, edição de junho, página 148.
Uma dica: vá sem pressa, folheando e suspirando pelos editoriais de moda das páginas anteriores.

Uma outra sugestão é usá-los como enfeite em embalagens para presente. Ninguém irá desconfiar que este adorno foi feito com sacolinha plástica. O tutorial deste está aqui.

Agora é soltar a imaginação e extrapolar o uso dos pompons. Mãos à obra!

Postado em diy, eco, handmade às junho 2nd, 2011. Por Patricia

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Aproveitando a empolgação na minha pesquisa, começo a escrever sobre Adriana Varejão.

Adriana vive e trabalha no Rio de Janeiro, cidade onde nasceu. Antes de se dedicar definitivamente à arte, ela estudou engenharia industrial e comunicação visual. Além de freqüentar por alguns anos a escola do Parque Lage, identifica duas viagens como determinantes na escolha profissional: em visitas a museus de Nova York, impressiona-se com a explosão de materialidade obras de certos artistas, particularmente, de Anselm Kiefer, e no Brasil, visitando cidades históricas de Minas Gerais e apaixonando-se pelo Barroco.

Adriana produz obras extremamente vigorosas e impactantes tendo como base o período colonial brasileiro, o barroco e a azularia, reproduzindo elementos históricos e culturais com forte contemporaneidade, através do acúmulo excessivo de materiais, camadas de tinta e informações. Seu trabalho de pesquisa examina nossa identidade cultural. No rico imaginário barroco de suas obras estão presentes técnicas de confecção de porcelanas, azulejos e tatuagens.Investiga também a utilização do corpo humano e da pintura, onde rupturas na tela apresentam um interior visceral sangrento e representam a carne como elemento estético, discutindo relações paradoxais entre sensualidade e dor, violência e exuberância.

Utiliza a pintura como suporte para a ficção histórica e a exploração de temas como a teatralidade, o desejo e os artifícios presentes no barroco. Em suas obras tridimensionais, rupturas na tela apresentam um interior visceral sangrento, formado de elementos escultóricos ou arquitetônicos. O maior mérito da artista está no estranhamento. Ela consegue criar diferenças estéticas através do orgânico: carnes, vísceras, sangue, com evidente sentido metafórico que nos remetem à realidade que compartilhamos. Estas diferenças estéticas atraem a atenção de muita gente. Ela não considera sua obra visceral afinada com as novas tendências da arte contemporânea, que em sua opinião privilegia o minimalisno ascético. E conclui: “A arte não é para enfeitar ambientes. Deve incomodar mesmo e atingir a inteligência da emoção”.

Nos trabalhos recentes, a artista desenvolve ambientes virtuais geometrizados que remetem a saunas, piscinas e banheiros, em que retoma questões intrínsecas à pintura como profundidade, espaço, cor, textura e perspectiva. O uso público da história parece ser acirrado pelo intimismo exposto nestas saunas caladas, sendo elas um ambiente extremamente cerrado, sem exterioridade. A realidade não tem acesso a este espaço fechado. Partindo de imagens produzidas digitalmente em softwares de 3D, Adriana retorna a questões fundamentais da pintura.

A azulejaria de Varejão já foi tudo: (1) cozinha; (2) banheiro; (3) um botequim carioca; (4) piscina pública em Saint-Germain; (5) malha cubista da pintura moderna; (6) hotel para encontros fortuitos; (7) hospital; (8) laboratório; (9) sala de cirurgia; (10) super-mercado; (11) açougue; (12) matadouro; (13) necrotério; (14) sala de dissecação; (15) sala de decorticação; (16) sala de tatuagem; (17) igreja e (18) e mesmo uma sauna.

Nos trabalhos da série de Charques, em que superfícies de azulejos recobrem camadas de “carne” pintadas, a artista partiu de uma pesquisa com azulejos dos anos 60 e 70 para recuperar o que chama de “estampas vulgares de banheiro e cozinha”. Explorando ao máximo a fisicalidade da obra, esses novos trabalhos desenvolvem idéias apresentadas na última individual da artista em São Paulo. Numa das obras uma parede de azulejos é interceptada por outra que lhe é perpendicular, dividindo a superfície em dois planos distintos, um recoberto com azulejos monocromáticos e o outro com uma mistura de estampas.

Diz a artista: “Minha ficção não pertence a nenhum lugar ou tempo específico, se caracteriza ao contrário por temas que lidam com ruptura e descontinuidade. São histórias sobre o corpo, a medicina, sobre pintura e sobre o Brasil, sobre tatuagens (…) Tudo é contaminado. No meu trabalho a formação da cultura brasileira desde o período colonial em diante é usada como uma metáfora para o mundo atual. Os trabalhos incluídos na série de Charques são como ruínas contemporâneas, paredes que deixam sua natureza rígida, insensível e inumana para tornar-se carne.”

Adriana já inaugurou uma exposição na Victoria Miro Gallery em Londres, além de exposições individuais na Galeria Soledad Lorenzo em Madri, e na Lehmann Maupin, em Nova Iorque. Outro destaque é a sua participação na mostra Tempo, curadoria de Paulo Herkenhoff no MOMA/NY, onde a artista expõe a instalação monumental Azulejões.

Abaixo, duas entrevistas com a artista:

Referencias e fotos: daqui, aqui, aqui, e daqui.

Postado em arte, design de superfície, escultura, videos às junho 2nd, 2011. Por Thais

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